quinta-feira, outubro 13, 2011

REVISTA SENTIDOS, NESSA EDIÇÃO A MATÉRIA SOBRE O MERGULHO ADAPTADO

REVISTA SENTIDOS
DO NOSSO EVENTO PELOS 20 ANOS DO MERGULHO ADAPTADO RECREATIVO NO BRASIL AINDA CONTINUAM AS REPERCUSSÕES..., ALÉM DA PRÓPRIA COMEMORAÇÃO QUE FIZEMOS EM ARRAIAL DO CABO, E A BOA DA VEZ SAIU NUMA MATÉRIA SUPER BACANA DA REVISTA SENTIDOS DESSA ÚLTIMA EDIÇÃO.

E COMO NÃO DEIXARIA DE REPLICAR, TANTO PELO FATO DE O MERGULHO AUTÔNOMO ADAPTADO SER A NOSSA ÁREA TAMBÉM, COMO POR SER DA SENTIDOS; UMA PUBLICAÇÃO SUPER 10 COMPOSTA DE UMA EQUIPE EDITORIAL COM GENTE MUITO BOA, TEM QUE FIGURAR, E, SENDO ASSIM, VAMOS VER...

ENTÃO, PRA DAR MAIS UM GRAU,  SEGUE AÍ A COMPILAÇÃO, BY INCLUSIVAS:

Lazer e Cultura

No fundo do mar
 
Mergulho autônomo adaptado completa 20 anos no Brasil e se consagra como uma ferramenta de lazer e inclusão social
 Por Cynthia Marafanti
Sob a água, 2 mergulhadores
Foi-se o tempo em que mergulhar nas profundezas do oceano era uma prática exclusiva para nadadores experientes, em ótima forma física e, por conseguinte, que não tivessem deficiência física. Atualmente, para desbravar as maravilhas e peculiaridades dos setes mares, basta querer! Isso mesmo, o mergulho adaptado é uma prática inclusiva e permite que pessoas com limitações físicas ou sensoriais possam curtir esse esporte prazeroso, além de promover bem-estar e alegria, num contato íntimo com a natureza. Os adeptos afirmam que a emoção é garantida.

O mergulho autônomo adaptado é uma prática esportiva legalizada, de acordo com a Handicapped Scuba Association Brasil (HSA Brasil), que representa a Handicapped Scuba Association Internacional no País. Assim, para conhecer de perto as particularidades do fundo do mar, é necessário o acompanhamento de algum profissional treinado pela organização, garantindo, assim, a segurança da atividade. “De início há o ‘batismo’ na piscina, como chamamos o primeiro contato com o mergulho.

Nesse momento, a pessoa vai aprender noções básicas de como usar o equipamento e vivenciar algumas horas de lazer. Se avaliarmos que ela está preparada, seguimos para algum balneário onde acontecerá o treino no mar”, explica Lúcia Sodré, professora de educação física, especializada na área de pessoas com deficiência, instrutora de  mergulho  autônomo e responsável pela HSA Brasil.

Lazer para profissionais
Agora, quem quiser ir além de algumas horas embaixo d’água, pode fazer o curso de mergulhador com certificado internacional. Nesse caso é necessário apresentar atestado médico específico e, após a autorização médica, o aluno deverá frequentar 40 horas de aula, incluindo aprendizados teóricos e práticos. Essa formação garante conhecimentos sobre equipamentos utilizados, física e fisiologia aplicadas ao mergulho.

Um dos atrativos do mergulho é que, embora seja uma prática esportiva, não há competição entre os participantes, pois se trata de uma atividade exclusiva para recreação e lazer. E por falar em diversão, quem tem mobilidade reduzida sabe da importância e facilidade de se locomover dentro da água, já que bro corpo fica leve e a flutuabilidade permite se deslocar com suavidade e experimentar sensações muito agradáveis. “A natureza marinha é impressionante. Poder tocar em corais, esponjas, estrelas-do-mar, tudo isso é incrível, me sinto livre e feliz em estar ali”, conta − por intermédio da esposa Cláudia Sofia Pereira− Carlos Jorge Rodrigues, 51 anos, surdo-cego e que pratica mergulho adaptado desde 1997.

Além de ser uma atividade lúdica, que envolve familiares e amigos, pode ser feito por pessoas com qualquer deficiência. “A metodologia de ensino varia de acordo com o grau de necessidade de cada aluno – como, por exemplo, materiais em braille para pessoas com deficiência visual ou com auxílio de vídeo com legendas para quem apresenta deficiência auditiva. Assim, fazemos com todas as pessoas. Afinal, para cada uma delas há adaptações em particular”, conta Lúcia.

A única ressalva é para pessoas com deficiência intelectual, já que os alunos têm de aprender um extenso conteúdo. No entanto, se o candidato apresentar capacidade de entendimento, também poderá participar e desfrutar da prática marinha.

Mergulhar faz bem
Há quem pense que mergulhar pode promover algum avanço no quadro clínico do paciente mergulhador. Mas Lúcia garante: “Essa atividade não tem cunho terapêutico”. Contudo, é certo que estar envolvido por uma imensidão de água e ver ou tocar animais exóticos proporciona sensações diferentes, afora o ato da inclusão social que, sem dúvida, favorece o estado psicológico de qualquer pessoa, com ou sem deficiência.

Jefferson Maia, 47 anos, foi baleado aos 23 e sofreu uma lesão cervical. À época, ele era mergulhador profissional e trabalhava em uma plataforma de petróleo. Para o espanto de muitos, mesmo após o incidente que lhe tirou a mobilidade dos braços e das pernas, não abriu mão do contato com a vida subaquática. “Sempre tive prazer em mergulhar, me sinto feliz com isso e não vejo razão para deixar de fazer algo que me faça bem”, conta.

Funcionamento e adaptações
A prática exige comunicação ininterrupta entre o grupo que está mergulhando, a qual é baseada em um conjunto de códigos de sinais estabelecidos internacionalmente (Sinais Convencionais). Esses gestos são ensinados aos mergulhadores com deficiência. No entanto, para facilitar o processo e possibilitar uma perfeita interação entre pessoas com deficiências visual, audiovisual e motora – com ausência ou limitação para o movimento dos membros superiores – foram criados os Sinais Convencionais Adaptados, instaurados de acordo com as habilidades e possibilidades de cada praticante. Estabelecida a forma de comunicação, é hora de cair na água. Mas você deve estar se perguntando: como levar um cadeirante, por exemplo, para o fundo do mar? “No Brasil, ainda não temos barcos adaptados com rampas, elevadores e barras de apoio como os disponíveis no Caribe, por exemplo.

Curiosidade
Como o próprio nome diz, o mergulho adaptado envolve as práticas de mergulho convencionais, com algumas adaptações materiais e técnicas. No  mergulho  convencional (para a pessoa sem deficiência), os praticantes têm de mergulhar sempre em dupla. Já na prática adaptada para tetraplégicos ou cegos e surdos, é necessário mergulhar em trio, a fim de aumentar a segurança.


Quando levamos grupos de pessoas com deficiência para mergulhar na costa brasileira, promovemos essa ‘adaptação’, carregando pessoas sem mobilidade no colo, guiando um cego, enfim, atendendo às necessidades de forma improvisada”, esclarece a professora. E no que diz respeito aos cais de porto, essa é outra questão a ser levantada. “É imprescindível que tenhamos uma estrutura pensada e exclusiva para pessoas com limitações físicas. Em Arraial do Cabo (RJ) há um projeto para a construção de uma plataforma adaptada, com cais flutuante e elevador, promovido pela Mister Diver. Acredito que após a alta temporada de 2012, esteja pronto”.

É evidente que ainda existem diversas barreiras no quesito acessibilidade, as quais impedem a popularização do mergulho adaptado. Por outro lado, é também verdade que seus adeptos não abrem mão de sentir o prazer de estar embaixo d’água e encontram soluções para os empecilhos. “Para mudar esse cenário e proporcionar maior inclusão social, é necessário que outras instituições se mobilizem e patrocinem momentos de lazer para pessoas com deficiência”, destaca Lúcia Sodré. O passeio é planejado com antecedência. “Para a hospedagem, reservamos pousadas e hotéis que ofereçam infraestrutura adequada”, complementa.

Onde mergulhar?
Como os mergulhos convencionais, as saídas para os adaptados, no Brasil, podem ser feitas em toda a costa, em praias e ilhas, mas as regiões mais procuradas, de acordo com a HSA Brasil, são Arraial do Cabo, Cabo Frio e Angra dos Reis, no Rio de Janeiro.

Ações e reações
Aula prática
O  mergulho  para pessoas com deficiência no Brasil aconteceu pela primeira vez em 1991, quando a professora Lúcia convidou James Gatacre, fundador e presidente da Associação Internacional de  Mergulho  Adaptado (HSA, sigla em inglês), para ir ao Rio de Janeiro e formar os primeiros instrutores especializados no País. “Desse dia em diante, percorremos um longo caminho, porque a maior barreira não é arquitetônica, ela está em desmistificar o preconceito de que pessoas com tetraplegia, por exemplo, não são capazes de fazer as mesmas coisas que aquelas sem deficiências fazem. O mergulho adaptado é apenas um exemplo de que para toda necessidade há uma solução”, reflete a pioneira.

Há, paralelamente, instituições como o Núcleo de Apoio à Natação (Nanasa), em Santo André (SP), que apoiam o mergulho autônomo adaptado. O Nanasa conta com o apoio do poder público, da iniciativa privada, da sociedade civil e de instituições do ensino superior, todos unidos para promover melhor qualidade de vida às pessoas, independentemente da classe social e de suas condições financeiras.

O núcleo atende atualmente cerca de 240 pessoas com deficiências visual, auditiva, intelectual e física, com atividades pra lá de especiais. Para se ter ideia, além das aulas de natação, totalmente gratuitas, os profissionais promovem reuniões pedagógicas com os familiares, orientando e estimulando o convívio social. Recreação com festas temáticas e atividades de lazer em parques da cidade são outras práticas da organização.
 

Serviço
HSA Brasil
www.intervox.nce.ufrj.br/~sbma


Núcleo de Apoio à Natação
Adaptada – Nanasa (11) 4993-0619

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